Teve lugar no último dia de Janeiro a cerimónia de consagração do Profissional do Ano pelo Rotary Club de Almeirim.

Este ano foi distinguido o músico e compositor Custódio Castelo, personalidade de craveira internacional, reconhecido pelo seu trabalho de divulgação e formação em guitarra portuguesa (que o próprio define como o “O Instrumento que canta a voz de um povo e tem o nome de um país”) e um sobejamente conhecido exemplo de intervenção em prol da comunidade.

Natural do concelho de Almeirim foi influenciado ainda jovem para escolher a guitarra portuguesa como seu instrumento de eleição pela audição de discos de Amália Rodrigues. A sua primeira participação em estúdio surge por convite de Jorge Fernando, outro grande músico e produtor nacional, o que deu início a uma colaboração que perdura até à actualidade.

Ao longo da sua já vasta carreira musical acompanhou grandes fadistas, como Nuno da Câmara Pereira (com quem gravou o disco "Só à Noitinha" com a Orquestra Sinfónica da Lituânia), Mísia, Camané e Carlos do Carmo e acompanhou Amália Rodrigues na sua última viagem aos EUA; foi o mentor do projecto artístico de Cristina Branco com especial destaque para as composições que produziu para o disco «Cristina Branco canta Slauerhoff » que conquistou o primeiro lugar do top de compositores em França, mas só em 2003 grava o seu disco de estreia a solo «Tempus».

Lançou, como produtor e compositor, o projecto "Encores", para o qual produziu todos os arranjos e a maior parte das composições, com poemas de Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Amália Rodrigues, David Mourão Ferreira e Eugénio de Andrade, e para a voz de Margarida Guerreiro.

Músico versátil, deambulando entre o clássico e o moderno, entre a tradição e a inovação, as suas composições que são consideradas, por muitos, das mais criativas jamais escritas na sua área, mergulham na esfera do erudito sem perder a sua génese. Foi igualmente neste âmbito que Custódio Castelo editou a trilogia “Tempus”, “In Ventus” e, já em 2016, “Maturus”, este último executado com a guitarra siamesa, concebida em exclusivo pelo luthier Óscar Cardoso. Nesta última obra, que realça o espírito abrangente do artista e a segurança de um longo percurso feito, Custódio Castelo alarga o espectro musical pela fusão de estilos e géneros musicais, incluindo uma inédita homenagem ao Cante Alentejano, agora considerado Património Imaterial da Humanidade.

Virtuoso guitarrista, tem‐se apresentado como solista em importantes festivais internacionais, Belo Horizonte (Brasil), o World Music of Philadelphia (EUA), o International of Rabat (Marrocos), o North Sea Jazz (Holanda), Festival Sunfest Ontário (Canadá) – onde foi referido como o maior artista vivo da Guitarra Portuguesa – , Festival du Sud (França) país onde em finais de 2016, marca presença de destaque no simbólico Olympia, em homenagem a Amália Rodrigues.

Mas as luzes da ribalta nunca o fizeram desligar-se das suas raízes e a par com a participação em múltiplas iniciativas locais, Almeirim, sua cidade natal é, desde 2014, palco do primeiro festival de Guitarra Portuguesa: O Guitarra d'Alma, do qual assume o papel de director artístico. Quem o conhece, encontra-lhe igual dedicação e entrega num palco do Olympia ou num de uma associação recreativa no Ribatejo.

Este e outros passos do seu percurso profissional e pessoal foram recordados na Sessão Solene que teve lugar no Salão Nobre da Câmara Municipal de Almeirim e especialmente por uma sentida intervenção de Miguel Carvalhinho, amigo e colega docente na ESART – Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco –, que fez questão de salientar o lado profundamente humano da sua intervenção artística e docente.

No Jantar de Homenagem que se seguiu e que o homenageado fez questão de abrir com uma interpretação a solo, houve ainda a oportunidade para alguns momentos musicais a cargo de alunos e amigos da ESART e para mais alguns testemunhos da relevância do profissional e do Homem.